segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A Sala das Janelas.


Tenho pensado muito sobre oração - confesso que tenho mais pensado do que orado - o que realmente ela é, como deve ser feita, qual o seu papel na vida da gente e em nosso relacionamento com um Deus que não é gente como a gente.

Jesus nos ensina sobre oração em Mateus 6 até o versículo 12 do capítulo 7, principalmente corrigindo erros cometidos pelos religiosos da época que faziam de suas orações um espetáculo em praça pública. O texto também enfatiza algumas palavras como: em secreto; recompensa; os outros; ansiedade; Reino de Deus e justiça; persistência e volta a enfatizar "os outros" no versículo 12.

Em Filipenses 4 Paulo deixa um alerta para transformarmos os motivos de estarmos ansiosos em oração, súplicas e graças. Interessante é que Paulo está fazendo é uma exortação ao saber que Evódia e Sintique estavam em conflito, no versículo 4 reforça: "seja vossa amabilidade conhecida por todos". A questão oração e "o outro" volta à tona. A paz de Deus prometida nos versículos 7 e 9 não se trata somente de uma paz interior, acalmando um coração aflito, mas de uma paz comunitária, falamos de relacionamento interpessoal pacificado.

Tiago em sua carta (5:13-16), fala também sobre oração em seu aspecto comunitário de forma bem simples e prática "... orem uns pelos outros para serem curados".

Penso que a oração é mais que um diálogo, uma comunicação entre o cristão e Deus. Estou chegando à conclusão de que oração é um lugar. Lugar onde os nossos olhos deixam de olhar somente nossas dificuldades particulares e nossos anseios individuais. Oração é um lugar onde paramos de lutar com a força do nosso braço e descansamos confiantes em Deus. Oração é um lugar onde a necessidade do outro, o sofrimento, a alegria, a paz do outro,  é percebida em primeiro plano, compaixão pelo próximo é o que movimenta a nossa alma.


Acredito que na oração existem duas etapas ou andares. Vou tentar explicar isso de maneira mais lúdica. Imagine comigo. No primeiro andar há uma sala sem janelas e toda revestida de espelhos. Lá eu vejo quem eu sou, vejo refletidos meus pecados, meus medos, meus problemas, tenho que encarar, sem máscaras, a realidade do que sou e vivo. 


Mas de maneira graciosa Jesus entra na sala e os espelhos passam a refletir somente a imagem de Jesus. Eu não me vejo mais, somente a Jesus. Ele então segura em minha mão e me leva para um andar superior. Lá não há espelhos, mas sim, amplas janelas por todos os lados. De lá posso contemplar a alegria dos outros e me alegrar com eles, posso ver e sentir o sofrimento dos outros, posso, então, interceder por eles de forma verdadeira.


A oração é um lugar, não um lugar comum, mas onde Deus segura em nossa mão, nos leva à sala das janelas e nos mostra o que Ele quer que vejamos e sintamos. Quando dobrar os meus joelhos e fechar os meus olhos é lá onde quero chegar.






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